domingo, 9 de dezembro de 2012

Eu matei a minha mãe - (J'ai tué ma mère) - 2009


Primeiro trabalho na direção de XAVIER DOLAN que além disso escrever o roteiro dessa história semi-autobiográfica e também interpreta o papel de seu personagem, um jovem, homossexual, que vive normalmente em desacordo com sua mãe, vendo sua vida se tornar um verdadeiro martírio.

Falado em francês, o filme parece herdar uma das características que é marcante nos filmes desse país que uma grande quantidade de diálogos. E esses diálogos que acontecem normalmente entre o jovem e a sua mãe, que vemos uma torrente de sentimentos ser despejada diante de nossos olhos. 

Conflitos geralmente desencadeados do nada. Quase que nivelando a posição mãe e filho, em um confronto de interesses, onde um faz exatamente o oposto ao que o outro deseja. A mãe, parece ter tido problemas por sua vez com a mãe dela, que em alguma parte do filme a descreve como neurótica, mas fica bastante alterada se comparada a ela. O filho, apesar de explosivo como sua progenitora, ainda tenta de certa forma, agradá-la para que a paz reine nem que por breves momentos de sua vida, mas geralmente sem obter sucesso em sua empreitada.

Um citação interessante da inicio ao filme. "Amamos nossa mãe sem percebermos, e somente depois do último adeus é que tomamos consciência da profundidade desse amor.", que mostra talvez, o sentimento que ocupa o coração a maioria dos adolescentes que nessa idade, se encontram em conflito com seus pais, mostrando isso talvez de uma forma potencializada, mas que serve para refletir bem todos esses conflitos dessa idade.

Após a sua exibição no Festival de Cannes, o filme recebeu uma ovação de aplausos de 8 minutos. Indicado ao César de Melhor Filme Estrangeiro, ganhou dois prêmios de revelação em Cannes, Menção Especial em Bangkok e o prêmio de Melhor Atriz para ANNE DORVAL em Palm Springs.

Minha Nota: 6.4
IMDB: 7.2

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

10 Timer til paradis - (Teddy Bear) - 2012


Primeiro longa metragem do diretor dinamarquês MADS MATTHIESEN que ganhou o prêmios nos festivais de Sundance e da Europa na direção e que conta a história de um fisiculturista de 38 anos que vive com a mãe e que quer encontrar o amor verdadeiro, mas nunca teve uma namorada. Para isso, ele vai até a Tailândia em busca dessa companheira.

O filme é tocante. Apesar das poucas falas presentes na projeção, o diretor consegue nos mostrar um homem, aparentemente forte, já que seu físico é monstruosamente construído ao longo dos anos, que vive com uma mãe controladora e ao seu lado, mostra ser completamente submisso as vontades da senhora.

Somente nas cenas em que de frente ao espelho, o atleta exibe seu corpo esculpido com disciplina, é que podemos ver sinais de alegria. Em todos os outros momentos, vemos uma pessoa frágil e tímida por trás de todos aqueles músculos e tatuagens, que precisa mentir para sua mãe, para que consiga fazer uma viagem em que acredita conseguirá encontrar uma companheira.

A resistência ao sexo fácil e a se exibir para as moças que vai conhecendo assim que chega a Tailândia, deixa uma dúvida sobre que problemas atormentam o pobre homem forte que vemos na tela.

Uma impressão que é passada, é que o povo dinamarquês é mais fechado, o que é potencializado no protagonista, pois até mesmo um tio seu, teve que sair do país para que conseguisse se casar. Em contrapartida, o povo tailandês é mostrado como mais amistoso e liberal, ao mesmo tempo que vemos inúmeras meninas buscando apenas vender os seus corpos como meio de vida. Um filme sensível, que talvez para um público como o nosso, careça um pouco mais de diálogos que expliquem melhor essas culturas tão distantes de nós.

Minha Nota: 6.0
IMDB: 7.1

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Chopper - Memórias de um Criminoso - (Chopper) - 2000


Esse é o primeiro trabalho do diretor neozelandês ANDREW DOMINIK, por quem confesso, nunca tive curiosidade, até ler a crítica de Pablo Vilaça sobre seu novo trabalho, O HOMEM DA MÁFIA (2012) tecendo elogios a todos os seus trabalhos. O que me fez procurar esse CHOPPER - MEMÓRIAS DE UM CRIMINOSO (2000), que conta a vida de um criminoso que se tornou lendário na Austrália por conta da sua violência e inúmeros crimes. Ele escreveu sua autobiografia enquanto cumpria pena em uma prisão e que serviu como base para a obra fictícia que o diretor conta aqui.

O filme já começou me surpreendendo, primeiro por que a caracterização do ator ERIC BANA como o assassino que é protagonista da história, é impressionante e no decorrer da obra, vemos que não é só a caracterização, mas a interpretação do ator, mantém um nível muito Alto. Além disso, também no início do filme, os créditos são apresentados de uma forma muito interessante, com cenas internas da prisão e com o céu acelerado sob uma música que nos transmite um clima de colônia de férias, mesmo clima que é passado pela entrevista mostrada com o próprio Chopper, que parece estar a vontade em sua clausura, chegando até mesmo a se divertir.

O personagem é fascinante, com uma gama de mudanças de humor que tornam sua compreensão difícil, ao mesmo tempo que se mostra totalmente a parte da dor e portador de um sangue frio quase que irreais, para que logo após seus atos de violência, demonstre um arrependimento quase que palpável.

É bem vinda também a presença da belíssima atriz KATE BEAHAN que interpreta a prostituta par amoroso com o criminoso Chopper e que não tem tantos trabalhos assim relacionados com cinema, mas tem um rosto que pode estar na memória de algumas pessoas como estava na minha.

Gostei muito da escolha do diretor para terminar seu filme, mostrando que a satisfação sentida por seu protagonista, não passa de algo temporário e que na verdade, seu mundo se resume e algo mais restrito do que a popularidade que ele atingiu. 

Minha Nota: 7.6
IMDB: 7.2

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Sempre ao seu lado - (Hachi: A Dog's Tale) - 2009


Trabalho do diretor sueco LASSE HALLSTRÖM que também é o responsável por ótimos filmes, como CHOCOLATE (200) e REGRAS DA VIDA (1999). O diretor parece ter uma preferência por filmes que emocionam seu público e não é diferente esse SEMPRE AO SEU LADO (2009).

O filme é uma refilmagem de HACHIKÔ MONOGATARI (1987) que conta o drama baseado na história verdadeira de um professor universitário e seu vínculo com o cão abandonado que ele leva para sua casa.

Não que eu seja avesso a animais de estimação, mas eu não sou um fã ferrenho de filmes que trazem esses bichinhos como tema central, apesar de sempre me declara um espectador sedento por filmes emocionantes e dramáticos, feitos com o objetivo de fazer seu público se esvair em lágrimas e esse SEMPRE AO SEU LADO (2009) é isso. Um filme que emociona e acredito eu, que se fosse um pouquinho mais apegado a bichos, teria até desmanchado de tanto chorar.

O diretor constrói de forma eficiente, os laços afetivos entre o cão e seu dono. Mostrando com muito cuidado e sem pressa, como a ligação entre os dois vai aumentando gradativamente. E a história, por si só, já é incrível suficiente, pois um animal que passa a acompanhar seu dono até a estação de trem todos os dias e ainda voltar ao final do dia no horário em que ele chega, é de surpreender qualquer um.

Não gostei muito da forma que o diretor escolheu para contar a história, pois fica muito difícil acreditar que qualquer um vai ficar ouvindo com paciência uma narrativa na escola, que demore o tempo que a narrativa do neto faz. Outro problema, esse já é mais uma coisa particular, eu não consigo me encantar e envolver com os olhares do bichinho, como a maioria das pessoas comumente se envolvem, o que para mim, tira muito do efeito dramático de certas cenas, que dependem de uma compreensão mais clara por parte dos sentimentos de seus personagens, mas nada que atrapalhe a apreciação da obra.

Minha Nota: 6.4
IMDB: 8.1

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Indomável Sonhadora - (Beasts of the Southern Wild) - 2012


Esse é o primeiro longa metragem do diretor americano BENH ZEITLIN mas que também já lhe rendeu o Camerá d'Or no festival de Cannes, prêmio dado ao melhor primeiro trabalho apresentado no festival, geralmente nas mostras paralelas. Além disso, o filme também rendeu ao diretor 15 outros prêmios e 10 indicações em festivais pelo mundo.

Em sua história, INDOMÁVEL SONHADORA (2012) conta a história de uma menina de apenas 6 anos, que se vê morando em uma pequena ilha, prestes a desaparecer do mapa, graças a rápida evolução da maré que ameaça cobrir todo o local, mas é ensinada por seu pai, um homem forte de de temperamento explosivo  e opinião inabalável, não quer deixar a sua casa por nenhum motivo existente.

A fotografia que já nos mostra a casa da pequena garotinha, que parece morar sozinha a princípio em algo mais parecido com um barracão de um aglomerado qualquer feito de pedaços de objetos encontrados em qualquer lugar, é de arrepiar. As cores, os ângulos, a sensação que o diretor nos consegue transmitir, é a mais real possível.

Isso faz com que qualquer espectador já prenda a sua atenção, mesmo que o roteiro nos apesente elementos fantasiosos, originários da imaginação da garota, que é bastante criativa e sente a falta e dialoga com sua mãe, que a abandonou ainda pequena, deixando a ilha e o seu pai sem uma explicação clara.

O roteiro nos carrega junto com essa garota e seu pai, na maior parte do tempo, na intenção de mostrar a união dessas pessoas, apesar da recusa do pai que quer apenas preparar a sua cria para que seja forte e consiga sobreviver a qualquer adversidade que a vida lhe impuser.

A teimosia de seu pai, talvez seja o maior problema do filme, pois apesar de saber que não existe uma forma simples de continuar naquele lugar, o homem insiste em permanecer ali e o que é pior, alimenta a imaginação de sua filha, de que ali é o seu lugar.

Minha Nota: 6.6
IMDB: 7.6

Butter - (Butter) - 2011


Esse é apenas o segundo trabalho em longa metragem do diretor inglês JIM FIELD SMITH e eu confesso que só peguei esse filme para ver, por que ao assistir o seu trailer, me deparei com a simpática figura da mocinha YARA SHAHIDI. É claro que a presença de JENNIFER GARNER me chamou também a atenção e não precisa nem dizer que definitivamente, resolvi assistir ao filme, depois de ver que OLIVIA WILDE faria o papel de uma prostituta o que possivelmente renderia belas cenas de seu belo corpo.

O enredo do filme já é para ser uma espécie de piada pronta. Em uma pequena cidade americana, anualmente é disputado um concurso de esculturas feitas em manteiga. Uma menina adotada, descobre seu talento e pede a seus pais que lhe inscrevam nesse concurso, contudo, ela não sabe que terá que enfrentar uma mulher ambiciosa e que quer o título a qualquer custo.

É claro que o concurso tem lá a sua importância, mas as piadas do filme se constroem principalmente em seus diálogos e situações. É claro que não é um filme que consegue proporcionar vastas gargalhadas de seu espectador, mas consegue cumprir o papel de divertir seu público.

Uma coisa que não posso deixar de comentar é que foi muito grata a surpresa de ver na tela novamente a atriz ALICIA SILVERSTONE que já foi considerada sexy simbol na década de 90 e hoje se tornou uma bela mulher já com os seus 36 anos.

Minha Nota: 5.8
IMDB: 6.0

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A arte de pensar negativamente - (Kunsten å tenke negativt) - 2006


Primeiro longa metragem do diretor BARD BREIEN e que traz um humor negro tão próprio que só poderia ser produzido nos países nórdicos que tem uma cultura e um meio de vida todo próprio. Na história, um grupo de apoio psicológico a deficientes, um possível novo membro, não percebendo que ele irá levá-los a uma situação crítica.

Com um grupo de personagens parcial ou quase totalmente deficientes, que para a maioria das pessoas pode causar um pesar gigantesco. O diretor não tem pudor em pintar com tons de chacota o tratamento positivista dado pela psicóloga para seu grupo, com técnicas caricatas e que absurdamente parecem surtir efeito para o grupo, para depois, jogar na cara de seu público como por mais que tentemos entender, o problema dessas personagens é muito mais profundo do que imaginamos.

Suas deficiências causaram um dano psicológico que pode ser maior ainda do que a limitação física causada por ela. Mas mesmo mostrando esse aspecto dramático da coisa, seu protagonista insiste em mostrar a realidade para todo grupo, o que gera situações de humor que fazem com que o espectador ria, a princípio timidamente mas depois, de forma descontraída mesmo que com certo pesar.

Minha Nota: 6.0
IMDB: 7.0

sábado, 1 de dezembro de 2012

Picardias Estudantis - (Fast Times at Ridgemont High) - 1982


Filme da diretora AMY HECKERLING que é responsável por comédias que ganharam certa notoriedade em suas épocas como AS PATRICINHAS DE BEVERLY HILLS (1995) e os ótimos OLHA QUEM ESTÁ FALANDO (1989) e sua sequência OLHA QUEM ESTÁ FALANDO TAMBÉM (1990).

Nesse PICARDIAS ESTUDANTIS, que não me recordo de ter visto nem mesmo na época mas me lembro de seu nome, conta o dia a dia de um grupo de adolescentes perto da sua formatura. Com os assuntos alternando entre sua escola, shoppings, sexo e rock n 'roll.

O filme conta com a presença de atrizes lindas e que fizeram sucesso na década de 80 como JENNIFER JASON LEIGH de quem eu me recordava mais pois a vi no filme EXISTENZ (1999) e com outra menina linda, PHOEBE CATES que fez menos trabalhos, mas chegou a atuar em GREMLINS (1984), além, é claro de SEAN PENN fazendo o papel de um adolescente surfista e drogado.

Como a maioria das comédias que tem por tema a adolescência, temos uma comédia baseada em desejos e  valores da época. Ter um emprego, conquistar as garotas, perder a virgindade, baile de formatura, drogas e carros. O filme não é tão engraçado quando eu esperava pois acredito que tenta dar uma certa lição de moral por trás de seus personagens, o que é até válido como filme formador de opiniões, principalmente para o público da época, mas que envelheceu e perdeu seu encanto.

Minha Nota: 5.4
IMDB: 7.2

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O som do coração - (August Rush) - 2007


Este é o segundo longa metragem dirigido por KIRSTERN SHERIDAN e conta a história de um garotinho órfão, vivido por FREDDIE HIGHMORE que já fez o simpático rapazinho da refilmagem A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE (2005) e que acredita que a música que ele escuta em tudo ao seu redor, é enviada pelos seus pais e por isso, ele foge do orfanato onde passou a vida toda, a procura deles.

O filme conta com a presença do sempre extravagante ROBIN WILLIAMS e de um ator que eu não via desde PONTO FINAL - MATCH POINT (2005), o ator JONATHAN RHYS MEYERS que pelo visto tem trabalhado pouco desde então. Talvez por que apesar de sua bela aparência, não parece ter muita criatividade na concepção de seus tipos, parecendo sempre utilizar as mesmas caras e bocas, sem se dar conta da personagem que está vivendo.

Vi muitas coisas que a meus olhos pareceram problemas durante o filme. Atuações sem inspiração, no início do filme, fica claro que os instrumentos não estão sendo tocados por seus personagens, o que me incomodou bastante e uma falta de fluência da história. Lendo meu texto a partir desse parágrafo, confesso que parece que me entendiei durante o tempo que vi um filme ruim. Mas não foi isso que aconteceu.

Existe uma aura no filme, que encanta através da música executada, nos preenchendo a alma e nos dando uma dimensão pequena do que ela pode fazer por nós. Além disso, a história foi feita para comover e comove muito. Me peguei em diversos momentos do filme envolvido com seu drama, com sua música e me esvaindo em lágrimas. Uma ótima sacada utilizar Freddie no papel do órfão, pois o menino tem um ar encantador e inocente, apesar de não ter uma boa interpretação nesse filme.

Minha Nota: 6.6
IMDB: 7.4

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Um Divã para Dois - (Hope Springs) - 2012



Filme do diretor DAVID FRANKEL que é o responsável pelo excelente O DIABO VESTE PRADA (2006) e que conta a história de um casal de meia-idade, que depois de trinta anos de casamento se vê envolvidos com um programa intenso de aconselhamento matrimonial de uma semana, no intuito de fazer com que a relação volte a ser como já foi um dia.

Com a presença dos talentosíssimos TOMMY LEE JONES e de MERYL STREEP, dois atores de um nível indiscutível e difíceis de se encontrar em qualquer lugar do mundo e ainda com uma nova atuação brilhante do excelente STEVE CARELL, o filme nos delicia principalmente com a interpretação desses três grandes atores. Eu também não podia deixar de mencionar, mesmo que ela esteja fazendo apenas uma pontinha, mas a presença da belíssima ELIZABETH SHUE não serviu para matar a saudade que estou sentindo dela nas telas, mas que me fez lembrar o quanto gosto de vê-la em cena pelo menos.

Como disse o filme traz as ótimas interpretações desses 3 atores, e fiquei impressionado como apenas com a posição dos corpos desses monstros sagrados em determinadas cenas, já nos mostram muito mais do que duas pessoas sentadas, mas todos os sentimentos que se passam naqueles dois personagens, claro o mérito de cada cena tem a parcela de talento de seu diretor, mas acredito que deve ser fácil deixar que esses dois ídolos do cinema façam o que sabem fazer de melhor, encantar o público.

Ta certo, eu sou um fã de filmes românticos o que quase sempre vai fazer com que obras desse gênero me agradem e para piorar essa fala de personagens que vivem um casamento de longa data, o que faz com que eu me identifique de imediato com o filme. Mas além de todos esses fatores que para mim soam como positivos, o filme conseguiu me emocionar e acho que fará isso com uma boa parcela de seus espectadores.

Em diversos momentos conseguimos compartilhar com as frustações e pequenos sucessos obtidos pelo casal durante a projeção, sem nunca deixar de torcer pelo futuro de seus personagens. Não posso deixar de dizer também, que o final do filme é perfeito e o diretor ainda consegue utilizar inteligentemente o recursos dos extras, enquanto sobem os créditos, para agradar até aquela parcela do público que custuma querer que o filme dure mais do que a história que está sendo contada.

Minha Nota: 6.6
IMDB: 6.5

Por que parar agora - (Why Stop Now) - 2012



Esse é o primeiro trabalho em longas metragens dirigido por PHIL DORLING e conta com a ajuda de RON NYSWANER, escritor de FILADÉLFIA (1993), que ao virar filme, lançou tanto TOM HANKS quanto DENZEL WASHINGTON como fortes atores dramáticos.

Nesse POR QUE PARAR AGORA (2012), um jovem e prodigioso estudante de piano, tenta levar sua mãe a um centro de reabilitação, mas acaba se envolvendo com o traficante da mãe durante um dia conturbado em sua vida.

O jovem vivido pelo ator JESSE EISENBERG que já a algum tempo, tem trabalhando bastante, é um rapaz que está sobrecarregado por ter que cuidar da irmã, uma menina aparentemente tímida e que usa um fantoche na maior parte do tempo para se comunicar e da mãe, que além de ausente se mostra uma mulher perturbada graças aos efeitos das drogas. Além disso, o rapaz tem uma importante audição que pode lhe possibilitar uma bolsa de estudos em uma importante escola de música. E precisa que sua mãe se desintoxique para que assuma a casa quando ele tiver que ficar fora graças aos estudos.

Apesar de aparentemente carregar um pouco no tom de comédia, tentando fazer rir com o mesmo ar desesperado que Jesse carrega em suas atuações, o filme se revela um tanto quanto dramático, pois consegue sensibilizar seu espectador com as intenções de seu protagonista, apesar de confusas, de tentar acertar sua vida, de sua irmão e de sua mãe. Até mesmo em resolver o problema do traficante que não sabe falar espanhol e que precisa de um tradutor.

O filme não funciona tão bem como comédia, nem mesmo como drama, mas nas peças de piano, temos alguns momentos que me chamaram a atenção. Seja pela interpretação de Eisenberg que parece muito fiel a música que é executada, seja pelo sentimento claro que sua interpretação tem, mesmo se compararmos com a execução que está acontecendo antes da sua, executada com brilhantismo pela candidata anterior, mas que gritantemente parece algo robótico e simétrico.

Minha Nota: 5.1
IMDB: 6.0

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Na Estrada - (On the road) - 2012



Depois de seu CENTRAL DO BRASIL (1998) e de ter tornado seu talento reconhecido mundialmente, o diretor carioca WALTER SALLES ainda dirigiu filmes de sucesso como ABRIL DESPEDAÇADO (2001) e a produção DIÁRIOS DE MOTOCICLETA (2004) que conta a história da peregrinação do revolucionário Che Guevara pela América, mas para mim, apenas Central do Brasil poderia ser considerada uma obra realmente brilhante.

Nesse NA ESTRADA (2012), um jovem escritor tem sua vida abalada após a morte de seu pai e a chegada de um novo amigo e sua namorada, que tornam sua vida uma eterna viagem pelo país, onde eles encontram pelo caminho, pessoas que lhe acrescentam, cada uma a sua maneira, experiências únicas e memoráveis.

O filme é baseado no livro Pé na estrada de Jack Kerouac que ficou conhecido depois de seu sucesso estrondoso como a bíblia dos hippies. Walter encontra aqui um elemento um tanto comum em suas obras, visto que ele sempre demonstra ter uma certa atração por filmes de viagens, chamados de road movie.

Confesso que não é um tipo de filme que me faz muito a cabeça, o que atrapalha um pouco a minha ligação afetiva com a obra, mas de qualquer forma, não tenho como não reconhecer pontos interessantes e que para mim, são ótimas qualidades que o filme tem. Na verdade, Walter consegue retratar uma cultura que se inicia nessa época, de jovens que queriam mais e assim, começam a tentar descobrir formas de viver totalmente a parte do que é o padrão da sociedade.

O filme conta com as belas KIRSTEN DUNST que interpreta a esposa do andarilho que é o objeto de fascinação central do jovem escritor e com KRISTEN STEWART que faz a esposa de 16 anos que segue a maior parte do tempo, em viagem e participando das principais loucuras que os protagonistas fazem pelo caminho.

Acredito que o filme possa ser melhor apreciado por quem vivenciou essa época ou mesmo conhece a obra do escritor.

Minha Nota: 6.0
IMDB: 6.3

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Lembranças - (Remember Me) - 2012


O diretor ALLEN COULTER tem um currículo impressionante na área de séries de tv, tendo dirigido séries como Família Soprano e Arquivo X e esse LEMBRANÇAS (2012) é apenas o segundo longa metragem que conta com sua direção.

Nele o diretor nos conta uma história de amor, que está cercada por dramas. A mãe de sua mocinha, interpretada pela bela EMILIE DE RAVIN, teve sua mãe assassinada na sua frente, quando ela tinha apenas 12 anos. O rapaz, interpretado por ROBERT PATTINSON, perdeu seu irmão, que se suicidou ao completar 21 anos, enquanto ele tinha apenas 15.

O filme ainda conta com as ilustres presenças de CHRIS COOPER e de PIERCE BROSNAN como pais dos protagonistas. Apesar da aura de romance, o filme se concentra muito nos problemas de seu protagonista, que tenta aproximar seu pai, um homem de negócios de Wall Street, distante de sua família, da sua irmã mais nova, que está passando por uma fase difícil na escola e acredita que seu pai não gosta dela, além de ter que conviver com o sofrimento causado pela perda de seu irmão

Uma frase interessante que o personagem de Pattinson diz, de Gandhi, é "O que quer você faça na vida, será insignificante. Mas é muito importante que você o faça". Isso serve para coroar a reviravolta que o diretor da em seu enredo. Quando tudo parece se encaixar trazendo o alívio que seu personagem busca desde o o começo da obra, tudo muda e o filme se encaixa em um fato histórico que abalou profundamente todos os americanos.

Me incomodou essa mudança, mas me incomodou mais ainda, a finalização da obra, que tenta mostrar a vida que segue, mesmo depois dessa reviravolta proposta pelo diretor.

Minha Nota: 5.6
IMDB: 7.1

domingo, 25 de novembro de 2012

Polissia - (Polisse) - 2011


Esse é o terceiro trabalho por trás das câmeras, como diretora e também roteirista desse POLISSIA (2011), da atriz MAÏWENN é realmente uma obra no mínimo perturbadora.

O filme nos mostra o dia a dia de uma foto jornalista que passa a acompanhar os trabalhos da divisão contra abusos infantis da polícia francesa e nos mostra também um pouco da vida desses policiais que tem que trabalhar diariamente com crimes muitas vezes hediondos e absurdos.

O material colhido pela diretora, que também colaborou na elaboração do roteiro do filme, é impressionante e consegue ser retratado de forma muito satisfatória com a utilização do recurso de falso documentário. Somos convidados a acompanhar os casos e as reações desses policiais, frente a criminosos de todas as espécies. Desde aqueles que assumem os seus feitos, até aqueles que não querem confessar ou não acreditam estar fazendo nada demais, como é o caso da mãe que é detida ao sacudir seu bebê no meio da rua para tentar fazer com que ele pare de chorar.

A diretora também acerta a mão ao mostrar que os policiais, envolvidos diariamente com casos que afetam a qualquer ser humano, não tem como se manterem de forma imparcial diante dos criminosos e de suas vítimas.

Na verdade, a obra se destaca muito por conta do assunto abordado sem rodeios, tocando diretamente na ferida e se aprofundado mais e mais, sem ter pena de seu público espectador. Além disso, um grupo de atores desconhecidos do grande público, consegue de maneira brilhante, nos apresenta diferentes personagens, todos, as suas maneiras, interessantes e complexos, que tentam nos passar o quanto a podridão de certos seres humanos, não consegue sair facilmente das nossas cabeças, nos incomodando de forma avassaladora.

Minha Nota: 6.6
IMDB: 7.3

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Os Infratores - (Lawless) - 2012


Filme do diretor australiano JOHN HILLCOAT que vem ganhando mais e mais destaque tanto junto ao público quanto com a crítica graças a repercussão de seus trabalhos, como foi o caso de A ESTRADA (2009) que ainda preciso assistir.

Esse OS INFRATORES (2012), baseado em fatos reais e no livro escrito pelo neto do personagem vivido por SHIA LABEOUF, se passa na época da Depressão, com a instituição da lei seca, e conta a história de uma família de produtores e contrabandistas de bebidas que é ameaçada por uma nova autoridade que chegou a pouco tempo na cidade.

Confesso que no início, não me agradou muito a ideia que é praticamente a mesma de vários outros filmes sobre a produção de bebidas durante a lei seca americana, que entraram para a memória afetiva de muitas pessoas. Mas o diretor John Hillcoat e seu elenco composto por estrelas que emprestam apenas qualidades para cada personagem da trama, conquista o espectador mais desavisado.

TOM HARDY aparece novamente na tela, com uma interpretação completamente diferente de tudo que ele já fez, o que mostra o quanto esse ator tem potencial para crescer mais e mais. GUY PEARCE empresta ao vilão da obra, uma crueldade que incomoda o espectador, fazendo com que torçamos para que algo o pare e impeça seus desmandos. A belíssima e sedutora JÉSSICA CHASTAIN está de volta com uma interpretação segura e sedutora, além de linda como sempre. Acho que é melhor parar por aqui, pois o filme é repleto de boas interpretações, o que colabora muito para o resultado final.

A violência gráfica é gritante, o que pode não ser considerado como qualidade por algumas pessoas. E o que me incomodou um pouco no filme, mas isso é culpa da história e não do diretor ou mesmo do ator Shia Labeouf, é a fragilidade de seu personagem, que em meio a um negócio tão arriscado e sério, se recusa a assumir essa postura frente aos negócios, sempre muito inconsequente, o que acaba se revelando uma qualidade no decorrer do filme, mas a mim irritou bastante. 

Minha Nota: 7.4
IMDB: 7.5