domingo, 31 de março de 2013
A Professora de Piano - (La pianiste) - 2001
Filme do diretor alemão MICHAEL HANEKE resposável pelo fantástico recente trabalho AMOR (2012) que nesse A PROFESSORA DE PIANO (2001) nos conta a história de um jovem rapaz, se apaixona perdidamente por uma professora de piano, até que descobre segredos sobre ela que o afetam profundamente.
Forte como todos os trabalhos do diretor, essa obra aborda um tema controverso e interessante. Como uma pessoa que possui uma preferência sexual nada convencional, consegue se envolver emocionalmente com outra que na maioria das vezes não vai conseguir entender as necessidades de seu parceiro, o tomando por doente e anormal. Essa força está presente em cenas de auto mutilação e na visita da professora a uma cabine erótica, apenas uma das muitas facetas escondidas da personagem.
A professora interpretada pela francesa ISABELLE HUPPERT é uma mulher de disciplina irretocável, exigente ao extremo, mas ao mesmo tempo, acompanhada de uma frustração que nunca é esquecida graças a presença de sua mãe, que sempre a recorda de seu insucesso. O alvo de sua paixão, é um jovem belíssimo que se encanta por sua arte e começa a lhe assediar insistentemente até se tornar seu aluno.
HANEKE, após juntar os dois personagens, começa a discutir a loucura que toma o jovem, que se apaixona perdidamente pela musicista. Inclusive a música tem um papel fundamental no caráter de seus personagens. Obras magníficas são executadas em toda a projeção, que tornam o filme em uma experiência sensorial espetacular.
O filme ganhou a Palma de Ouro nas categorias Melhor Ator, Melhor Atriz e Melhor Diretor, além de ter sido indicado a Palma de Melhor Filme, além de ter sido bastante premiado em diversos outros festivais pelo mundo.
Minha Nota: 7.2
IMDB: 7.3
A Caça - (Jagten) - 2012
Filme do diretor dinamarquês THOMAS VINTERBERG que nos conta a história de um professor de uma escola infantil, vê seu nome envolvido em um escândalo sexual com uma de suas alunas, filha de um de seus melhores amigos e que com isso, tem sua vida completamente mudada.
A presença do ator MADS MIKKELSEN é forte e merecedora da Palma de Ouro de Melhor Ator, em um trabalho fantástico de direção, que consegue fazer com que o público, se envolva com a trama. Causando diversas sensações, mas principalmente de revolta, pois ficamos partidários do protagonista que sofre com a suspeita que recai sobre ele, mas que acreditamos que é infundada, já que diversas pistas deixadas pelo diretor nos levam a crer isso.
A habilidade do diretor é tamanha em manipular nossa visão, que ele consegue mudar nossa atenção para diversos personagens que podem ser o verdadeiro criminoso, mas é com o decorrer do filme, que ele nos mostra que isso não importa. O que importa, é como a vida de uma pessoa pode ser completamente destruída, baseada em fatos que muitas vezes, não são fortes o suficiente para justificar determinadas ações. Nesse caso, ele nos mostra uma diretora que acredita fortemente na garotinha e depois, fortalece essa sua crença, após um interrogatório fraco e dirigido, que não comprova em nada o problema que ele acredita ter.
É justamente essa falha na argumentação, essa fraqueza desses papeis, que me incomodou muito e por isso não consegui desfrutar da obra com total prazer que ela mereça, mas como estava discutindo com um amigo meu, esse pode ser um dos recursos inteligentes utilizados pelo diretor para que sua história conseguisse nos atingir da forma que atingiu, uma obra realmente muito boa.
Além do prêmio de Cannes, o filme concorreu ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Bafta e foi vencedor do Melhor Filme Independente no festival Independente da Inglaterra e Melhor Roteiro pelo Festival Europeu de Cinema.
Minha Nota: 7.4
IMDB: 8.3
Eu e Você - (Io e te) - 2012
Filme do renomado diretor italiano BERNARDO BERTOLUCCI que foi responsável por obras memoráveis como ÚLTIMO TANGO EM PARIS (1972) e pelo ganhador de Óscar O ÚLTIMO IMPERADOR (1987) e que dessa vez nos conta a história de um jovem introvertido faz com que seus pais acreditem que vai passar uma semana esquiando com sua turma da escola, contudo, passa esse tempo sozinho, trancado no porão de seu prédio, até que uma companhia inesperada passa a fazer parte de sua jornada.
O filme conta com a presença da belíssima atriz TEA FALCO, que faz o papel da irmã drogada do jovem, que vai encontrar refúgio junto com o garoto durante a tal semana que ele passa escondido, aproveitando para tentar se libertar dos efeitos das drogas, tornando a obra um filme de conhecimento. Conhecimento entre os irmãos que se separaram a muito tempo por motivos particulares e nesse reencontro, criam um vínculo de preocupação e auto preservação.
O tema na minha opinião não é tão forte e ainda para piorar um pouco a coisa, não se desenvolve por nenhum lugar de interesse. Talvez a intenção de BERTOLUCCI seja a de mostrar que mesmo depois de atingirmos uma fase adulta de nossas vidas, preservamos nossa visão fechada e fantasiosa de nossa infância e sempre, temos prazer quando podemos novamente desfrutar daqueles pontos de vistas mais inocentes e despretensiosos, contudo, esses aspectos estão em uma camada tão profundo, que podem nem ser a intenção de seu realizador.
Minha Nota: 5.4
IMDB: 6.7
sábado, 30 de março de 2013
Um Alguém Apaixonado - (Like Someone in Love) - 2012
Cheguei até esse filme do diretor iraniano ABBAS KIAROSTAMI depois de ler uma crítica do especialista em cinema PABLO VILAÇA que exaltava a obra do diretor com um entusiasmo que não tive como não ficar com o filme na cabeça. Na história uma jovem prostituta que vive em Tóquio, tem um namorado muito ciumento que não sabe de sua profissão e que a persegue com as mais variadas perguntas possíveis, enquanto ela tem que atender a um novo cliente que vai se revelar um apoio para essa pessoa perdida.
Já me chamou a atenção no início da obra, o fato de entrarmos em uma história que parecia estar em andamento. O diretor no joga a observar a partir de um ponto fixo em um bar, a conversa da jovem com seu namorado, sem sequer vermos o rosto dela, apenas ouvindo sua voz em meio as conversas que vão acontecendo naquele momento no bar. Outro fator curioso, é que deixamos a história da mesma forma que entramos, como se ainda fossem acontecer diversos eventos que merecessem nosso acompanhamento, isso me agradou muito.
Outros elementos que não podemos deixar de notar. A utilização da câmera fixa, sempre curiosa, quase que um voyeur nas cenas, é muito empregada pelo diretor. Seus diálogos também sempre trazem um certo ensinamento em seu âmago. Como no momento em que o sr. mais velho, diz ao jovem namorado ciumento, que a experiência nos ensina que quando sabemos que a pessoa amada irá nos mentir, é melhor não perguntar sobre aquele assunto. Cenas longas, que nos envolvem com seus personagens também são utilizadas durante toda a obra. Tudo para nos mostrar uma relação doentia entre os amantes do filme, que não se mostra em momento algum prazerosa para um dos dois. Parafraseando Vilaça, não há como evitar a constatação de que somos criaturas destinadas ao sofrimento, mesmo que durante esse processo sejamos incrivelmente felizes.
O diretor nos propõe uma discussão sobre frustração que um amor de natureza obsessiva pode trazer pela quebra da sua idealização. O filme foi indicado a Palma de Ouro em Cannes, além de ter concorrido também em outros festivais.
Minha Nota: 6.0
IMDB: 7.0
O homem do ano - (O homem do ano) - 2003
Não tem como não notar e exaltar a composição de personagem fantástica feita pelo ator carioca MURILO BENÍCIO para seu protagonista. Mais novo e magro, criando uma postura toda particular de boca para seu personagem, ele consegue emprestar sua cara enigmática para um personagem igualmente enigmático, confuso, que segue a vida da forma que ela se apresenta.
A presença de beldades como MARIANA XIMENES e CLÁUDIA ABREU são muito bem vindas. Bem como ótimo elenco de apoio composto por JORGE DÓRIA, ANDRÉ GONÇALVES, LÁZARO RAMOS, PAULINHO MOSKA, JOSÉ WILKER e AGILDO RIBEIRO.
O filme trata a violência, e diversos outros aspectos da vida de forma ambígua, o que faz com que ele cresça muito na sua apreciação. Ele propõe a discussão da violência e da segurança de uma forma forte, que leva aos extremos a necessidade de se tomar uma atitude quando as autoridades responsáveis não se apresentam quando são requisitadas.
Contudo, o filme consegue ainda colocar em discussão, até onde estamos preparados para as consequências que essa justiça com as próprias mãos, pode levar o ser humano. Além disso, o fato de matar outra pessoa começa a ser uma ato sem consequências para seu protagonista, o que mexe profundamente com sua cabeça. Ele começa a trafegar sobre um fio muito fino entre o certo e o errado, entre a loucura e a sanidade.
Minha Nota: 7.0
IMDB: 7.6
Django Livre - (Django Unchained) - 2012
Oitavo trabalho na direção desse gênio pós-modernidade que revolucionou a forma de se fazer cinema, colocando sua visão repleta de elementos de cultura pop mesclados com filmes B e principalmente de karatê e faroeste além do universo das revistas em quadrinho, que sempre foram as grandes paixões do diretor, ator, produtor e roteirista QUENTIN TARANTINO.
Nesse seu novo trabalho, DJANGO LIVRE (2012) que tem por personagem principal uma lenda no western americano, ele nos conta a história de um escravo, que recebe a ajuda de um caçador de recompensas alemão, em troca de alguns favores, e que após cumprir sua parte do acordo, irá resgatar sua amada esposa.
Algumas coisas nesse trabalho não podem deixar de ser destacadas. A trilha sonora é a principal delas. Sempre os trabalhos do diretor, deram uma importância grande ao papel que a trilha sonora tem em seus filmes, e DJANGO LIVRE (2012) não é diferente. Apesar de uma obra de que serve como uma homenagem clara ao estilo Spagete Western, que foi largamente exaltado a tempos atrás na Itália, a utilização de uma música cheia de aspectos da cultura negra americana, combinada com o clima de western do filme é sensacional. Inclusive cheguei a mencionar em uma conversa com alguns amigos, que esse filme tem nuances que mostram o racismo daquele momento da história americana de uma forma mais contundente do que o próprio LINCOLN (2012).
Outro aspecto a ser destacado é a fotografia, que consegue transformar a violência, que é inegavelmente utilizada em todo o filme, em um espetáculo visual e plástico, graças aos exageros próprios do diretor, que tiram o foco da violência e enaltecem o espetáculo que é proporcionado.
Não da para falar do diretor, sem citar seus diálogos sempre criativos e inteligentes, muitas vezes, remetendo o espectador a viajar completamente para fora da história que está vendo, mas com um talento que torna tudo fluido e harmônico. As piadas contidas na maioria dos diálogos dos personagens de Django, consegue entreter e ao mesmo tempo, fazer com que reflitamos sobre os assuntos que são colocados.
TARANTINO escreveu seu protagonista, pensando justamente no ator WILL SMITH para o papel, mas após a recusa, JAMIE FOXX interpretou de maneira brilhante o pistoleiro mais famoso do Oeste. Se sentindo a vontade em seu papel, Foxx chegou a usar seu próprio cavalo no filme, e inclusive, fez uma demonstração de controle e habilidade do animal, perto do final da obra.
Outro trabalho que não deixa nenhum fã do diretor insatisfeito, o filme venceu os prêmios do Óscar e do Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante para CHRISTOPH WALTZ e de Melhor Roteiro para QUENTIN TARANTINO, ainda foi indicado e vencedor de diversos outros prêmios em festivais pelo mundo.
Minha Nota: 8.2
IMDB: 8.6
quarta-feira, 27 de março de 2013
Contato - (Contact) - 1997
Filme do diretor americano ROBERT ZEMECKIS que também foi o realizador de trabalhos como excelente DE VOLTA PARA O FUTURO (1985) e O NÁUFRAGO (2000) e que nesse CONTATO (1997), nos conta a história de uma cientista, astrônoma, curiosa por encontrar vida fora da terra, que recebe um sinal de uma galáxia distante e com isso, tem que lutar para fazer com que seu projeto seja levado a sério.
Com a presença de JODIE FOSTER interpretando a personagem adulta da pesquisadora, o filme se concentra na verdade, em instigar a curiosidade de seu espectador, mais do que qualquer outra coisa. Para isso, não são inseridos muitos elementos de física que possam servir de base para a narrativa e sim, uma concentração na obsessão da protagonista por fazer contato o mais distante que ela consiga, como se no fundo, ela quisesse mesmo conversar com seus pais que já morreram.
De certa forma o diretor consegue nos passar a paixão que movimenta a ciência e que é realmente louvável, pois somente através dela, conseguimos fazer com que a humanidade ande, mesmo que a passos lentos, para frente no seu progresso tecnógico.
O filme foi indicado ao prêmio de Melhor Som no Óscar, e ao prêmio de Melhor Atriz para JODIE FOSTER no Globo de Ouro, além de ter vencido diversos outros prémios e ter recebido diversas outras indicações em festivais pelo mundo.
Minha Nota: 6.8
IMDB: 7.3
segunda-feira, 25 de março de 2013
Dança com Lobos - (Dances with Wolves) - 1990
Primeiro trabalho do ator americano KEVIN COSTNER na direção de longas metragens e que nos conta a história de um soldado que ao escapar da morte, resolve conhecer uma área selvagem e isolada de seu país.
Com uma fotografia naturalmente maravilhosa, que mostra paisagens das pradarias americanas é com certeza um dos principais destaques desse DANÇA COM LOBOS (1990), que possui um andamento lento, como se não estivesse preocupado em conta rapidamente a sua história, ou quisesse através de sua longa duração, traduzir o sentimento de espera e solidão que é experimentado por seu personagem principal, interpretado pelo próprio Kevin.
De qualquer forma, seja por conta de seu recurso de contar a história sem pressa, ou mesmo pelo carisma de seus personagens que são bastante interessantes, nos interessamos e envolvemos com a trama de forma a criar um laço afetivo positivo com a história. História essa que não chega a ser fantástica, mas simples, direta, e que nos leva a refletir sobre alguns aspectos que nem sempre colocamos a frente em nossas preocupações. O preconceito com culturas que não conhecemos, e no caso da obra, a abordagem violenta que o país teve para com seus nativos, assim como acontece também em outros países, como aqui no Brasil.
A duração é algo que eu não consegui entender. O filme é extenso demais e gasta um tempo muito grande com cenas que não necessariamente tenham que ter aquela duração toda, mas de qualquer forma é uma obra a ser respeitada.
O filme ganhou 7 prêmios no Óscar, tais como Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Fotografia, além de ser indicado aos prêmios de Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Atriz Coadjuvante entre outros. Faturou os prêmios de Melhor Filme, Diretor e Roteiro no Globo de Ouro e mais uma série de outros prêmios em festivais pelo mundo.
IMDB: 8.0
sábado, 23 de março de 2013
O Pagamento Final - (Carlito's Way) - 1993
Filme do diretor americano BRIAN DE PALMA, responsável por incríveis trabalhos como SCARFACE (1983), OS INTOCÁVEIS (1987) e MISSÃO IMPOSSÍVEL (1996) e que nesse O PAGAMENTO FINAL (1993) nos conta a história de um ex-traficante porto riquenho que ao sair da prisão, quer mudar de vida, juntar um montante de dinheiro e recomeçar com um trabalho digno longe de seu bairro, mas que vai ter que superar a diversas tentações e problemas pelo seu caminho.
Não gosto muito de filmes que começam contando a cena final da história. Isso tira um pouco diminui um pouco a surpresa que pode funcionar como qualidade para o espectador, mas de qualquer forma, serve também para o diretor nos dizer que quer que prestemos atenção em seus personagens e suas histórias.
A obra nos reserva um show de interpretação tanto de AL PACINO quanto do ator SEAN PENN que interpreta o advogado a quem o personagem de Pacino acredita dever a sua vida, já que havia sido condenado a 30 anos de cadeia, mas graças ao advogado consegue sair com 5 anos apenas.
O ar de filme de gângster está presente nas interpretações. Um trilha sonora de muito bom gosto de com algumas músicas que viraram sucesso completo na época e até mesmo nos dias de hoje também são grandes atrativos.
Acredito que o maior problema esteja mesmo em seu roteiro, que não reserva grandes surpresas ao espectador mas que também não influenciam tão negativamente assim o resultado final, que é o de uma grande obra.
O filme foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante para SEAN PENN e Melhor Atriz Coadjuvante para PENELOPE ANN MILLER que foi escolhida para interpretar seu personagem a pedido de PACINO.
Minha Nota: 7.6
IMDB: 7.9
quarta-feira, 20 de março de 2013
BKO: Bangkok Knockout - (BKO: Bangkok Knockout) - 2010
Filme do diretor tailandês PANNA RITTIKRAI responsável pelo sucesso em filmes de artes marciais ONG-BAK - GUERREIRO SAGRADO (2003) que ainda não vi mas que estou me preparando. BKO: BANGKOK KNOCKOUT (2010) é o trabalho mais recente do diretor e conta a história de um grupo de amigos que sonham ir para Holywood e para isso, fazem um suposto teste de elenco, contudo, se vem envolvidos em uma trama mais complexa.
O que mais me incomodou no filme foi o aspecto de obra feita direto para a TV, com a aparência quase amadora. O roteiro também é muito fraco e serve apenas como motivo para os combates físicos que se passam pelo filme. Esse acredito, seja o aspecto que deva ser melhor analisado, para alguém que se propõe a ver um filme de artes marciais como esse, e era justamente o meu propósito.
Os combates trazem algo de novo, digo isso, quanto ao aspecto de vermos lutadores que voam pela tela mas de uma forma mais realista. É claro que a câmera plantada, mostrando os combatentes surgindo do nada, ajuda no aspecto do realismo, afinal de contas, eles podem surgir de qualquer lugar com o impulso mostrado na tela, mas é claro que já imaginamos isso.
E se a história não fosse tão frágil, o filme poderia crescer bastante, o que não acontece. Os personagens são excessivos e não tem uma função que contribua para o desenvolvimento da trama, nem mesmo os que são inseridos para funcionar como piadas conseguem um resultado satisfatório. Como resultado final, temos combates que quando chegamos a metade do filme, soam como repetitivos mas sempre bem realistas, como se o elenco todo fosse composto por dublês profissionais que estão lá para se machucarem e gravarem tudo com realidade absurda.
Minha Nota: 5.4
IMDB: 5.5
Abril Despedaçado - (Abril Despedaçado) - 2001
Esse foi o quarto trabalho em longas de ficção do atualmente aclamado diretor carioca WALTER SALLES que conta a história de vingança e honra, de duas famílias no sertão nordestino, que são rivais na disputa por terras entre elas.
O diretor consegue nos apresentar uma história de honra, ausência de esperança e sofrimento. Com sua câmera ágil e criativa, que nos proporciona imagens fantásticas, em um pando de fundo sofrido e árido como somente o nordeste brasileiro pode proporcionar. Temos a presença de RODRIGO SANTORO em uma ótima interpretação de sua parte, que faz com que ele torne parte daquele cenário agreste, mesmo seu biotipo não correspondendo aquele cenário.
Outro achado é a utilização do personagem do ator mirim RAVI RAMOS LACERDA, que dá todo o aspecto lúdico e linka o espectador afetivamente com a obra, através de sua narração empolgada e vívida. Walter demonstra todo o seu talento nesses aspectos de direção, nunca tornando sua obra algo simples, e sim uma história com diversas camadas de sentimentos e características marcadas pela tradição e honra das famílias envolvidas na trama.
O filme foi indicado ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Globo de Ouro e Bafta e ganhou o prêmio de Melhor Diretor no festival de Havana.
Minha Nota: 7.2
IMDB: 7.6
Lincoln - (Lincoln) - 2012
Filme do sempre aguardado diretor STEVEN SPIELBERG que chega ao seu 28º longa metragem de ficção com esse LINCOLN (2012), que lhe rendeu a sua nona indicação ao Óscar, ele que já possui 3 prêmios pelos trabalhos O RESGATE DO SOLDADO RYAN (1998), A LISTA DE SCHINDLER (1193) e um outro prêmio em caráter de homenagem dado pela academia.
Nesse trabalho, a guerra civil americana continua matando centenas de homens e acaba se tornando a situação perfeita para que o presidente dos EUA faça passar a sua 13ª emenda constitucional, que acaba com toda forma de escravidão no território americano, contudo, essa não era uma medida vista com bons olhos por uma grande maioria do congresso.
A obra nos mostra um ícone, um presidente amado pelo povo e que recebe deste, sua confiança. Todos acreditam que somente a medida proposta pelo presidente pode por fim a uma guerra que já havia tirado a vida de vários cidadãos americanos. Além disso, o filme também nos mostra que mesmo sendo um homem íntegro e de objetivos nobres, Lincoln tem que se valer de artifícios puramente políticos, como a tão usual troca de favores, para conseguir apoio a sua controversa constituição. Ele tem inclusive, de ocultar fatos que podem jogar por água abaixo seus planos de aprovar a emenda.
DANIEL DAY-LEWIS está como sempre fantástico na composição de seu personagem adorado pelo povo, que tem que lutar contra tudo e contra todos, para receber o apoio necessário aos seus ideias. A trilha sonora adotada por Spielberg é épica e serve muito bem como suporte aos momentos de emoção raros que o filme proporciona. Achei curioso inclusive, que o momento de maior emoção na minha opinião, seja reservado para a votação da emenda, quando o personagem do presidente não está em cena, o que nos leva a refletir, que aquele homem, como qualquer outro governante, apenas inseminou uma ideia, torcendo para que outras pessoas também vislumbrem um bem maior como ele imagina.
TOMMY LEE JONES também está muito bem no papel de um importante membro da câmara, que luta secretamente pela abolição da escravatura é muito bem construído também.
Um ótimo filme, principalmente pelo caráter histórico, apesar de ter recebido várias críticas nesse sentido, mas que consegue nos fazer refletir sobre esse sentimento que está instaurado em toda a humanidade, o racismo, que é absurdo para uma grande parte das pessoas, mas que ainda é um sentimento fortemente presente em um outra parte nada pequena.
O filme ganhou prêmios em vários festivais, além de ter ganho os prêmios de Melhor Produção e Melhor ator para Daniel Day-Lewis além de o Globo de Ouro também para o ator.
Minha Nota: 7.0
IMDB: 7.7
Noivas em Guerra - (Bride Wars) - 2009
Filme do diretor americano GARY WINICK responsável também pelo inofensivo DE REPENTE 30 (2004) além de outros 8 trabalhos, geralmente comédias românticas. Nesse NOIVAS EM GUERRA (2009) o diretor nos apresenta a história de duas amigas de infância, que desenvolvem o mesmo sonho, de casar em um hotel famoso pela realização de casamentos grandiosos no mês de junho.
As duas são muito unidas e permanecem assim até a idade adulta. Por coincidência do destino, as duas recebem o pedido de seus respectivos namorados contudo, uma confusão coloca o casamento das duas na mesma data e hora, fazendo com que uma delas tenha que desistir do tão esperado sonho pelo menos por um tempo. É quando começa a guerra entre elas.
Para mim, o grande atrativo do filme é a presença das atrizes KATE HUDSON, que apesar de usar um corte de cabelo com franja que não em agradou, está belíssima e faz o papel de uma pessoa dominadora e bem sucedida profissionalmente. ANNE HATHAWAY é a amiga compreensiva e companheira, que está linda também, mas que com um papel que não lhe exige tanto, visto a fórmula pronta que o filme estabelece, não consegue se sobressair com sua personagem.
Na verdade, a fórmula do filme é para fazer rir, contudo, as piadas não são tão bem sucedidas, se bem que tenho sempre que levar em conta que não sou o cara mais indicado para falar de comédias, por quase sempre não gostar desse gênero, mas de qualquer forma, me agradou muito a utilização do recurso de fotos de casamento que o diretor utiliza em algumas partes do filme, além é claro, da narração voice over que ajuda a esclarecer uma obra que já é esclarecida por si só, mas que é um recurso que me atrai muito.
Minha Nota: 6.0
IMDB: 5.1
segunda-feira, 18 de março de 2013
Lolita - (Lolita) - 1962
Filme do conceituado diretor americano STANLEY KUBRICK, também diretor dos aclamados 2001 - UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO (1968), LARANJA MECÂNICA (1971) e O ILUMINADO (1980) dentre outros.
Esse LOLITA (1962) é o sexto trabalho do diretor em longas metragem de ficção e conta a história, baseada no livro de mesmo nome, sobre a relação de uma adolescente de 14 anos de idade e um professor que vem a se tornar o seu padrasto.
Impossível não comparar a obra de Kubrick com a do britânico ADRIAN LYNE, LOLITA (1997). Apesar de baseadas em um mesmo romance, as duas foram feitas em épocas diferentes, o que provavelmente, acarretou em um maior rigor no que diz respeito as cenas de envolvimento entre padrasto e enteada para a obra de Kubrick. Inclusive, dizem que os produtores orientaram o diretor a não utilizar uma menor de idade para o papel da garota, para evitar problemas com a censura, contudo, Kubrick insistiu em uma atriz adolescente e optou por SUE LYON quando ela tinha ainda 16 anos.
Senti que o diretor americano trabalha com maior enfase, as alterações de comportamento pelas quais passa o seu protagonista, indo de um professor polido e tranquilo, para um homem completamente transtornado pelo ciúme e pelo sentimento de posse.
A beleza da jovem atriz que interpreta Lolita é impressionante, mas o que chama mais a atenção, é como o diretor consegue criar em torno da jovem, um ar de volúpia e sensualidade, sem a necessidade de qualquer tipo de insinuação a nudez ou a vulgaridade. Achei também bastante caricato, na verdade até mesmo cômico, o papel do produtor de Holywood que seduz a menina e a faz fugir com ele. Lembro que na outra obra, do inglês, os tons para esse personagem eram bem mais sombrios e cheios de erotismo, na verdade, a carga erótica dessa segunda obra é indubitavelmente maior.
O filme foi indicado ao Óscar de Melhor Roteiro Adaptado além de ter sido indicado também a outros prêmios em outros festivais pelo mundo.
Minha Nota: 6.8
IMDB: 7.7
Os 3 - (Os 3) - 2011
Filme do diretor NANDO OLIVAL, vencedor de diversos prêmios por seu trabalho de estréia DOMÉSTICAS (2001), dez anos após, nos brinda com essa divertido e leve OS 3 (2011) que conta a história de três jovens de cidades diferentes que vão para São Paulo para estudar e se conhecem em uma festa, quando decidem dividir o apartamento de um dos três.
Em seu início, temos a citação do significado das palavras, amor, amizade, tesão e paixão, contudo, o filme não se aprofunda em nenhum dos sentimentos, não de uma forma didática e emblemática. Na verdade, somos jogados no meio do turbilhão de sentimentos confusos pelos quais seus protagonistas se embrenham.
Sem nomes famosos, o diretor nos apresenta um grupo de novas caras bastante carismáticas, que apenas somam qualidade para a obra, pois todos os três estão muito bem no papel de adolescentes que querem explorar um momento interessante de suas vidas. JULIANA SCHALCH é simplesmente encantadora. Além dela, talvez o nome mais conhecido da obra, é SOPHIA REIS, que aparece em um papel menor, mas em uma cena linda com cortes criativos e ousados.
E a fotografia, em algumas cenas, é outro ponto que chama a atenção, pois o diretor se mostra preocupado, pelo menos nas cenas de maior impacto, em criar uma memória boa, mas de um ângulo especial escolhido por ele. A trilha sonora também trás canções deliciosas e memoráveis.
Talvez apenas a falta de profundidade na relação de seus personagens, o filme peque um pouco. Mas fica claro, que não era a intenção do diretor, esclarecer a confusão de sentimentos, pelos quais passamos em nossas adolescências, e sim, o prazer de curtir uma época que todos nós guardamos com tanto carinho em nossas memórias.
Minha Nota: 6.8
IMDB: 5.8
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